Eu quase não saio, mas volta e meia é legal dar uma sacolejada no esqueleto em público. E eu realmente saio de casa pra dançar, não entendo (porém respeito) quem vai pros lugares pra fazer social, conhecer gente, encontrar os amigos. Quem sai pra pegar mulér (ou homem, né, um leque de opções todo maior) eu entendo, só que né, eu sou mais o meu (lalala <3).
Meus amigos de sair são os meus melhores amigos. A força-tarefa responsável por me fazer sair de casa. Ou de querer sair de casa. Por que foi depois de perder muitos muitos muitos fios-da-meada e situações que viravam piadas internas que eu decidi que se eles queriam que eu estivesse lá pra dançar com eles, eu iria.
E aí eu vou né.
E como eu não sou das mais party-people, a gente escolhe se sai sexta OU se sai sábado. E ontem a gente escolheu a sexta. Porque né, sábado tá sendo.
-Vamos ver, vamos ver, hoje é sexta. Sexta-feira tem Cine Lapa. Tem coisa em cima e embaixo.
-É “especial” alguma coisa?
-Deve ser né, sempre é. Mas deve ser alguma coisa mais dançável que da última vez*.
-É. Tomara. Vamo-então.
E aí a gente foi.
Pra começar a Lapa de noite é uma profusão incrivelmente confusa de coisas a se fazer ao mesmo tempo: buracos a serem desviados, evitar ser atropelados por carrinhos de vendedores de cerveja ou por taxis andando a 10km/h, pechinchar com flanelinha e tentar não se impressionar demais com o inegável fato de que as pessoas, quando querem se divertir, não se importam realmente com a aparência. E é cheio hein. Tudo muito cheio. Do tipo que você não sabe se está na fila certa ou na fila do BURACO DA LACRAIA, que fica colado.
Mas o bom do Cine Lapa é que lá tem duas pistas realmente independentes uma da outra (redundância, tudo bem? visto que preciso explicar que as pistas não são indies), e pelo menos ontem, tinha duas “festas” acontecendo, completamente diferentes. Em baixo um especial R.E.M. e Oasis. Em cima, muito pop farofa e bibas amigas a dançar. E como dançavam. Tinha um menino loiro que era a diva do lugar e eu quero ser como ele quando crescer. Daqueles que quando dançam sentem uma virada que só quem conhece realmente a música, conhece de ouvir no fone, sente e a simbolizam com uma quebradinha de pescoço, por exemplo. Todo um charme sutil nos detalhes.
Ficamos em cima enquanto embaixo parecia ruim e por causa da segregação dos fumantes no andar de baixo, que nos empurrava a um espaço aberto micro, onde fica a escada que leva à festa onde as pessoas gritam uhul quando toca Madonna. Eu realmente acho que é o melhor lugar pra ficar, tirando o fato de que eu desconheço e não sinto a menor vontade de conhecer a maioria das músicas. É importante pra mim – e acredito que pro resto das pessoas que são como eu, gente que dança sozinha e de olho fechado, encostada na parede e desligada do mundo - estar num lugar onde você pode descer até o chão loucamente e que ninguém vai te olhar com cobiça. E se olhar, vai sorrir e dizer “arrasou”, e virar pro lado e continuar a dançar bem melhor que você.
Aí uma dada hora comçou a tocar o que ficou registrado ontem, devido a seu impacto magnânimo em nossas vidas, como A MELHOR MÚSICA DO MUNDO. Melhor do mundo porque, e principalmente porque, não sabíamos quem cantava. Era incrível que uma música tão tão legal e boa de dançar nao fosse familiar a nós, e ainda mais aos meus amigos que frequentam mais boates que eu. Mas era eu que, de alguma forma e de modos que colocam minha reputação em cheque, lembrava da música e achava que tinha no meio de todas coisas incríveis que meu folder de mp3 quarda e eu desconheço.
Uma mulher cantando, uma melodia mega-dançante (tinha até uns passinhos de robô que dava pra fazer, eu vi Minha Diva Loirão fazendo e achei muito legal) um refrão EXTREMAMENTE catchy, uma onomatopéia sesacional… que porra é essa? Se eu não lembrasse que acima de tudo a música não era exatamente recente, podia bem ser Katy Perry, e se fosse uma música nova seria legal porque né, taí uma moça que pode pegar fogo porque já deu de I Kissed a Girl. E de Ur so Gay, apesar de eu gostar muito muito muito do clipe. ;D
Sem mais delongas, a música era Outta My Head. E por mais legal que seja, é da ASHLEE SIMPSON.
Gente.
E não, eu não tenho essa música no pc (eu procurei, né, vai que tenho, deu vontade de ouvir de novo e tal) mas eu lembrava de ter visto esse clipe. Cara, que foda. Ayayayaya. Eu vou repetir isso pra sempre.
AYAYAYAYAAAA.
Não que eu tenha virado fã incondicional da Ashlee Simpson e vá baixar suas músicas e tal mas poxa, ela merece crédito por ter gravado essa pérola. Ter gravado o ayayayaya. Espero que um dia vocês compreendam o impacto que isso teve na gente, e virou piada interna instantaneamente. Ashlee Fucking Simpsons, qual a probabilidade?
Tá vendo, é por isso que eu saio. Por isso aguento boates que consideram fácil a incrível arte de se divirtir ao som de EVERYBODY HURTS. Por isso todo o processo de ficar suada e descabelada enquanto me remexo muito, pra todos os lados e esbarro em todas as pessoas e bebo, quase exclusivamente, água. Por causa de umas onomatopéias que daqui pra frente, até a gente começar a esquecer vão fazer a gente rir, rir muito e lembrar do quanto a gente riu riu muito na primeira vez.
*”A última vez” foi um especial Radiohead, que todos amamos, mas que tava quase induzindo suicídio coletivo.
