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Mais um vídeo…

Abril 16, 2008

Tá ficando típico: a garota dá pra um cara e deixa ele filmar. Ela deixa o arquivo com ele. O arquivo vaza pra rede, assim, como quem não quer nada. Então a menina se sente no direito de processar deus e mundo porque oh, meu deus, ela foi muito ofendida.

Meu, pára.

Depois do dia tenebroso em que o Youtube saiu do ar graças àquela senhorita que se casou num castelo, eu tenho medo. Tipos Regina Duarte: tenho me-do.

Saber agora que mais uma pessoa tá querendo negar o acesso não só meu mais de um monte de gente à uma ferramenta pública tão ou mais importante quanto o Youtube, que é o WordPress, porque está se sentindo ofendida é duro de engolir.

E se for pensar direito, eu fiz uma comparação que pode vir a ser extremamente idiota assim que eu assistir ao vídeo, me mandem o link que eu tou com preguiça de googlar, porque tá com toda cara que a menina deixou-se filmar. E no caso da Cicarelli, o vídeo – supostamente – foi filmado sem o consentimento dela. Mas cara, se você dá permissão pra te filmarem transando na era digital, ou bem você tá pedindo material pra processo descabido ou tá querendo dar um up na popularidade, né? Manjado, gata. Paris do it better.

E tem mais, alguém explica como se pode “impedir” que um vídeo seja exibido? Na rede? Se bobear até meu irmão de nove anos sabe como baixar um vídeo do Youtube e salvar no pc. E existem aquelas pessoas que tem radar pra bafão, que assistem o vídeo uma vez e pensam “vai dar merda” e aí salvam pra posteridade, e mesmo quando o vídeo não estiver mais no Youtube ele sempre surgirá das cinzas pra quem quiser. Qualquer vídeo.

Mesmo que essa menina tenha sido vítima de algo hollywoodiano tipos webcam ligada e monitor desligado (eu não sei, eu AINDA não vi o vídeo) e não soubesse que estava sendo filmada, isso não dá a ela o direito de processar nada porque com certeza ela deve saber que no Brasil não existe ainda um meio não-babaca de lidar com vídeos comprometedores (pegou? pegou? rá) vazados na rede. Eles resolvem shutdown a coisa toda e ah, foda-se as outras várias toneladas de pessoas que acessam, que dependem do sistema pra passar bem o dia ou pra trabalhar. Ou mesmo em casos mais antigos, onde o garoto tenta tirar onda mesmo mandando muito mal – beijos, klaus – e a menina, que sabia que estava sendo filmada, sabia que vive numa época onde não existem segredos que estejam a salvo em um computador ligado à rede, fica super-ofendida e tem que mudar de cidade, de escola, de cor de cabelo, etc.

Na boa, se tirarem o WordPress do ar por causa de alguma menina inconsequente e um garoto cretino eu vou ficar muito puta. E não vou estar sozinha.

Não fode.

Ou fode – mas PELAMORDEDEUS usa uma câmera oldschool e assiste naquele videocassete que certeza que você ainda tem, malocado na parte de cima do armário.