Posts de Novembro, 2008

Não vem que não tem, coesão textual.

Novembro 29, 2008

Eu pensei com força em começar a frase com “eu odeio ________”, sei lá que porra que eu queria odiar, mas aí eu parei e achei melhor não. Fui praticamente invadida por uma lembrança MUITO ESCROTA. Que, pra variar, eu não sei daonde surgiu.

juunk

O fato é que na minha cabeça existe uma memória, um rabinho de um-dia-foi, um arquivo de extensão quebrada, um torrent incompleto que me causa vergonha das mais genuínas. Eu queria não lembrar ok? Te juro. Só que eu lembro de ver essa “banda”, o vocalista mauzão e maquiado e tal, tocando esse HINO DA REBELDIA em algum programa nada a ver.

Mas pensa que é um nada a ver com convicção. Tipos XUXA.

Junk, aparentemente. O Google me disse que o nome da banda é Junk. E eu acredito muitão porque é mega-apropriado. GENTE:

Se você tinha ALGUMA esperança que o portal de letras do Terra poderia ter algum critério, pense novamente. Além dessa tem montes de outras finas-flores do cancioneiro nacional, todo o vasto repertório da banda zumbi de noventa-e-nove. Medo que não tem fim.

E onde estão essas pessoas? Tudo bem, será? Se recuperaram desse LAPSO? Tomara. Tenho fé, de verdade.

Eu só tou chocada de não lembrar o horário do meu remédio e lembrar dessa música. Claro que eu lembro, né. Obviamente. Porque reter coisas felizes, não trabalhamos. Vai se fuder, memória de longo-prazo.

Genial

Novembro 25, 2008

funny-pictures-painter-cat-is-thinking-pastels

Eu adoro lolcats, vejo todo dia e tudo, mas é lindo quando rola uma identificação pessoal. Porque eu acho decoradores os seres mais LEGAIS do mundo, e tenho o decorador desse filme como meu ídolo pessoal. Sério, eu amava esse filme. Eu era criança e amava um filme de DESQUITADAS e acho que isso pode, senão mais, pelo menos revelar que eu era uma criança sem traumas com relação a pais separados.

Droga, quem eu quero enganar, eu ainda amo. Eu já tinha colocado Bette Midler entre as TOPS da minha vida (perdendo só pra Angelica Houston porque né, eu era criança e altamente influenciável por expressões faciais lânguidas) desde o filme de brujas mais legal do mundo, que eu gravei em VHS e via muitas muitas vezes em sequência, e decorei as falas, e dois anos depois quando comprei o Smells Like Children rolou uma incrível nostalgia, porque eu tinha sido uma criança fã de bruxinhas até, sei lá, até duas semanas antes de virar fã do Manson. E como eu já amava Winifred Sanderson pra sempre, então só bastou cair de amores pela Diane Keaton lalala. Goldie Hawn sei lá, não amei nessa hora. Ela é gostosona e tudo. Sou mais os charmes crooked das outras.

Aiáiáiáiááá.

Novembro 22, 2008

Eu quase não saio, mas volta e meia é legal dar uma sacolejada no esqueleto em público. E eu realmente saio de casa pra dançar, não entendo (porém respeito) quem vai pros lugares pra fazer social, conhecer gente, encontrar os amigos. Quem sai pra pegar mulér (ou homem, né, um leque de opções todo maior) eu entendo, só que né, eu sou mais o meu (lalala <3).

Meus amigos de sair são os meus melhores amigos. A força-tarefa responsável por me fazer sair de casa. Ou de querer sair de casa. Por que foi depois de perder muitos muitos muitos fios-da-meada e situações que viravam piadas internas que eu decidi que se eles queriam que eu estivesse lá pra dançar com eles, eu iria.

E aí eu vou né.

E como eu não sou das mais party-people, a gente escolhe se sai sexta OU se sai sábado. E ontem a gente escolheu a sexta. Porque né, sábado tá sendo.

-Vamos ver, vamos ver, hoje é sexta. Sexta-feira tem Cine Lapa. Tem coisa em cima e embaixo.

-É “especial” alguma coisa?

-Deve ser né, sempre é. Mas deve ser alguma coisa mais dançável que da última vez*.

-É. Tomara. Vamo-então.

E aí a gente foi.

Pra começar a Lapa de noite é uma profusão incrivelmente confusa de coisas a se fazer ao mesmo tempo: buracos a serem desviados, evitar ser atropelados por carrinhos de vendedores de cerveja ou por taxis andando a 10km/h, pechinchar com flanelinha e tentar não se impressionar demais com o inegável fato de que as pessoas, quando querem se divertir, não se importam realmente com a aparência. E é cheio hein. Tudo muito cheio. Do tipo que você não sabe se está na fila certa ou na fila do BURACO DA LACRAIA, que fica colado.

Mas o bom do Cine Lapa é que lá tem duas pistas realmente independentes uma da outra (redundância, tudo bem? visto que preciso explicar que as pistas não são indies), e  pelo menos ontem, tinha duas “festas” acontecendo, completamente diferentes. Em baixo um especial R.E.M. e Oasis. Em cima, muito pop farofa e bibas amigas a dançar. E como dançavam. Tinha um menino loiro que era a diva do lugar e eu quero ser como ele quando crescer. Daqueles que quando dançam sentem uma virada que só quem conhece realmente a música, conhece de ouvir no fone, sente e a simbolizam com uma quebradinha de pescoço, por exemplo. Todo um charme sutil nos detalhes.

Ficamos em cima enquanto embaixo parecia ruim e por causa da segregação dos fumantes no andar de baixo, que nos empurrava a um espaço aberto micro, onde fica a escada que leva à festa onde as pessoas gritam uhul quando toca Madonna. Eu realmente acho que é o melhor lugar pra ficar, tirando o fato de que eu desconheço e não sinto a menor vontade de conhecer a maioria das músicas. É importante pra mim – e acredito que pro resto das pessoas que são como eu, gente que dança sozinha e de olho fechado, encostada na parede e desligada do mundo - estar num lugar onde você pode descer até o chão loucamente e que ninguém vai te olhar com cobiça. E se olhar, vai sorrir e dizer “arrasou”, e virar pro lado e continuar a dançar bem melhor que você.

Aí uma dada hora comçou a tocar o que ficou registrado ontem, devido a seu impacto magnânimo em nossas vidas, como A MELHOR MÚSICA DO MUNDO. Melhor do mundo porque, e principalmente porque, não sabíamos quem cantava. Era incrível que uma música tão tão legal e boa de dançar nao fosse familiar a nós, e ainda mais aos meus amigos que frequentam mais boates que eu. Mas era eu que, de alguma forma e de modos que colocam minha reputação em cheque, lembrava da música e achava que tinha no meio de todas coisas incríveis que meu folder de mp3 quarda e eu desconheço.

Uma mulher cantando, uma melodia mega-dançante (tinha até uns passinhos de robô que dava pra fazer, eu vi Minha Diva Loirão fazendo e achei muito legal) um refrão EXTREMAMENTE catchy, uma onomatopéia sesacional… que porra é essa? Se eu não lembrasse que acima de tudo a música não era exatamente recente, podia bem ser Katy Perry, e se fosse uma música nova seria legal porque né, taí uma moça que pode pegar fogo porque já deu de I Kissed a Girl. E de Ur so Gay, apesar de eu gostar muito muito muito do clipe. ;D

Sem mais delongas, a música era Outta My Head. E por mais legal que seja, é da ASHLEE SIMPSON.

Gente.

E não, eu não tenho essa música no pc (eu procurei, né, vai que tenho, deu vontade de ouvir de novo e tal) mas eu lembrava de ter visto esse clipe. Cara, que foda. Ayayayaya. Eu vou repetir isso pra sempre.

AYAYAYAYAAAA.

Não que eu tenha virado fã incondicional da Ashlee Simpson e vá baixar suas músicas e tal mas poxa, ela merece crédito por ter gravado essa pérola. Ter gravado o ayayayaya. Espero que um dia vocês compreendam o impacto que isso teve na gente, e virou piada interna instantaneamente. Ashlee Fucking Simpsons, qual a probabilidade?

Tá vendo, é por isso que eu saio. Por isso aguento boates que consideram fácil a incrível arte de se divirtir ao som de EVERYBODY HURTS. Por isso todo o processo de ficar suada e descabelada enquanto me remexo muito, pra todos os lados e esbarro em todas as pessoas e bebo, quase exclusivamente, água. Por causa de umas onomatopéias que daqui pra frente, até a gente começar a esquecer vão fazer a gente rir, rir muito e lembrar do quanto a gente riu riu muito na primeira vez.

*”A última vez” foi um especial Radiohead, que todos amamos, mas que tava quase induzindo suicídio coletivo.

Você comeria um sushi preparado por Churchill?

Novembro 21, 2008

Eu tenho um grave problema né. Eu tenho uma memória audiovisual bastante limitada. A facilidade que eu tenho pra aprender bios e discografias não se extende a títulos de filmes. Então se eu não anoto, eu esqueço dos filmes que eu um dia já quis ver. Esqueço legal. Esqueço pra sempre.

Eu só queria saber como tava vivendo até hoje sem isso.

"a carne compensa ok"

E aí fico tão tão feliz quando o cosmos traz até mim essas coisas legais. Que eu tinha esquecido. Ver TV ainda é bom, sabe. Às vezes. E agora tá passando O Poderoso Chefão na seqüência.

Melhor dia da consciência pesada negra ever.

Como sentir-se mal, um curso rápido

Novembro 19, 2008

(Continuando na linha querido diário, porque tá foda.)

Estava eu chegando tarde da faculdade indo da barca pro terminal pegar o ônibus, cansada e entediada porque não levei músicas hoje (baterias não me têm) e parei pra abastecer-me.

Leia-se parei na banca de jornal pra comprar mangá.

Falem o que quiserem, mas eu acho divertido e tudo mais e às vezes tem putaria e é engraçado A VALER. Mas não é tipos hentai que as pessoas não tem vértebras e expelem fluidos por todos os buracos do corpo. Mesmo que sejam buracos fechados. Mesmo que sejam umbigos. Isso me deixa meio aflita e me impede de contemplar as obras com a devida atenção.

Aí procurei, procurei, e esse eu já tenho, esse eu não tenho porque é feio demais, esse é daqueles draminhas então nem gosto, esse tá lançando mas é caro então compro outro dia, ah, pronto, achei. Aí peguei e fui na fila pagar. Mas lá eu me deparei com um cara, um homem-feito (acho foda esse termo, é como se todos outros homens fossem protótipos tipos aquelas coisas lindas que me deixam com frio na barriga, como se tivesse apaixonada, mas nunca existem de verdade), de boné e uma faixa do NARUTO pendurada no pescoço. Sem ofensas pra adultos que usam faixas do naruto na Liba e tudo mais, mas eu moro em Niterói. Adultos não andam com faixas do naruto penduradas por aí. Nem meu irmão se atreve e nem pentelhos ele tem. Na fila uma senhora tentava ler a capa do negima enquanto eu procurava na bolsa o dinheiro e ela vira pra mim e fala:

- Meu filho faz coleção disso.

E eu, numa incrível demonstração de como ser escrota não dou um sorriso, não faço nada além de responder mecanicamente, ao mesmo tempo em que guardo meu troco na bolsa:

- Eu também.

E fui embora. Assim. Eu nem fiz cara de “O RLY” ou expressei de alguma forma o quanto eu não poderia me importar menos com o filho dela e o que ele coleciona ou deixa de. Mas acabou sendo pior, acho. Porque foi tão plana de qualquer tipo de reação a minha fala que não merece nem esse itálico.

Porra.

Não que eu ache que eu deva ser legal com todas as pessoas do planeta, inclusive aquelas que ficam invadindo meu espaço pessoal para ler uma capa de revista de cabeça pra baixo, mas se tem uma coisa que eu sou contra é a hostilidade gratuita. Mesmo. É porque eu tenho tr00 na minha cabeça que carão não leva ninguém a lugar nenhum e andar na rua como uma diva é bastante ridículo. E digo logo: se algum dia eu passar reto por alguém que conheço, nem que seja de vista e não falar, ou ao menos dar um sorrisinho, é porque eu estou sem óculos. Pode reparar.

Mas eu nem vou tentar me defender, porque se eu falar que estava cansada demais, não vai mudar em nada. Nem se eu alegar estar estressada porque meu óculos tava escorregando (ele tá com pernas abertas) e eu não tinha mão pra ajeitar e queria mais era chegar em casa. O fato é que depois da minha resposta mecânica insípida eu fui embora e ouço uma voz bastante estranha falar alto algo como “MEU, MEU” e ouço a mulher da fila falar “é sim, filho, é como os seus”. E quem era o filho dela?

O moço da faixa do naruto. Que se mexia de forma peculiar e carregava uma mala como se fosse um filho.

Uns cinco passos depois eu já sentia vontade de dar meia-volta e abraçar ela. E ele. Sei lá, fazer alguma coisa que desfizesse a imagem péssima que eu estava fazendo de mim mesma. E não é simples sentimento vazio de oh-coitado-ele-é-deficiente. Não. É só que eu já tinha olhado estranho pra ele e depois fui grossa com a MÃE dele, no mesmo espaço de 5 minutos. Mas eu não voltei. Fui pegar meu ônibus sentindo muita vergonha de ser esse ser humano horrível, sujo e cretino e uma super bitch que inflige atos aleatórios de hostilidade a indefesos desconhecidos.

Ou seja, eu estava me sentindo o Alex. Só que com uma generosa dose de culpa no moloko e sem um pingo de sensualidade no olhar.

Entrei no ônibus, sentei, nem toquei no mangá porque ainda estava meio assoberbada com a situação, quando o moço do naruto e a mãe entram no mesmo ônibus. Qual a probabilidade, né? Caralho. De longe, meio enfiada no texto que tava tentando ler, vi que ele falava alto e com uma voz esquisita porque, além de qualquer outra coisa que não posso discernir, ele é surdo. E falava com a mãe por linguagem de sinais e usava um aparelho. Enquanto ela andava para mudar de lugar e ir sentar-se onde ele queria, ela olhou na minha direção e tenho certeza que me viu olhando pra ela. Mas eu olhei por cima dos óculos e não conseguiria distinguir nem linhas faciais no rosto dela, que dirá pra onde ela poderia estar olhando.

Das duas uma: ou eu começo a usar lentes de contato ontem ou eu volto a pregar o estilo free hugs de viver e supero o trauma, encarando o que aconteceu hoje do jeito que uma pessoa um pouco menos apocalíptica encararia: puxa, que chato, não?

obrigadám.

Novembro 18, 2008

Receber elogios é um exercício de desvio de olhar. Na verdade, qualquer coisa que envolva falar de mim pra quem eu não tenho intimidade. Mas alguém pode achar que é o nervoso do momento. Pois saiba que ontem eu senti que estava desviando os olhos do papel onde os tais elogios estavam escritos.

Eu admiro muito quem diz “que é isso”, “imagina”, “vai se foder” nessas horas. Dependendo do contexto e da validade, eu fico de bochechas em vermelhão francês e não consigo olhar nos olhos das pessoas. A saída é o auto-entretenimento: sentar, analisar as unhas, dar uns pulinhos, cantar, etc.

Por isso que eu gosto de conversar no ônibus. Onde as duas pessoas, lado a lado, sentam olhando pra frente e conversam, sem precisar ficar se olhando. Metrô daqui às vezes não dá pra fazer assim. O de SP não dá quase nunca. Isso me incomoda um pouco. O metrô, quer dizer.

O jeito é fazer uso do campo visual de alguma forma e, por exemplo, decorar sinais e marcas no corpo das pessoas. O corpo que a gente mostra pela roupa, pescoços, braços, mãos, orelhas. Não sei qual a real utilidade pra isso, mas eu me sinto bem de saber que hoje eu sei que posso identificar Fulano por uma constelação de pintinhas no braço direito – e que semana passada eu nem sabia. Eu observo muito as bocas também, porque fica mexendo conforme a pessoa fala (não é mesmo, captain obvious?) e é meio hipnótico. Eu acho boca tão legal. \o/

Mas também me dá agonia olhar nos olhos, pois, não sei quanto a vocês, mas eu só consigo olhar direito pra um olho de cada vez, e isso não é um ato inconsciente daqueles que o cérebro corrige e tal. Me faz falta não poder olhar e ver os dois olhos. Me dá um desconforto incrível. Sabe, não é pedir muito. Meu deus me dá simetria. MINDÁ.

Mas é sempre estranho. O lance dos elogios, quero dizer. Apesar de quando no papel não terem olhinhos questionando porque é que é que eu desvio e aí começar com a loucura de jump to wrong conclusions e tudo mais eles ficam ainda mais incisivos. Bom sentido. É que as palavras têm pesos, né. Diferentes. Tá, não quis dizer peso-peso. Resistência do ar, pans. Elas tem superfícies diferentes e tal. Já ouviram uma frase caindo no ar? Qualquer uma. Tem frases que caem, frases que deitam, frases que sentam, cruzam as pernas, cruzam de novo – pro outro lado – e aí deitam. Tenho até uma amiga que consegue sempre deixar elas flutuandinho, tamanha a sua sensibilidade. Mas no papel é diferents. Você pode ler de novo e de novo e se sentir tão tão bem só com aqueles tracinhos de tinta. E eu sou fraca com isso. Minhas amigas devem saber, porque ficam colando postits em mim – em mim – com frases bonitinhas, ou coraçãozinho-de-mãozinha, ou alguma das minhas pérolas. Mas é sempre tão carinhonhinhonhinho que eu fico toda feliz. Hahaha.

É engraçado, né, que no papel nem deitar as palavras deitam. Elas ficam em pé, braços abertos e abraçam a gente de cima e por cima dos nossos braços – abraço de quentinho. Tal como um amigo mais alto faria.

Ou um urso muito muito gentil.

Reacionei, véi.

Novembro 18, 2008

Aeee.

Pela primeira vez na história desse país eu consegui ter vontades de terminar algum assunto por aqui. Momento solene de muita emoção e tudo mais.

Depois daquela incrível miscelânea (sempre quis colocar essa palavra numa frase ok, eu não ligo se está errado ok) de clipes, eu, obviamente, escolhi o da Cyndi. Porque né. Pra quê pensar duas vezes? Quando se tem todo esse ouro nas mãos?

Lalala.

***

O título do post original era:

“As cores verdadeiras do Nascer do Sol Elétrico”.

Cyndi Lauper – “True Colors” – 1986, dirigido por Pat Birch.

Como não amar Cyndi Lauper? Ela era uma jovem cantora pop de cabelos amarelos e rosto redondo, e afirmava que garotas só querem se divertir e hoje é uma senhora de 55 anos em turnê pelo Brasil, indo de Belo Horizonte à Curitiba. Se repetir o que fez em São Paulo, a cantora vai tocar o hino sozinha no palco com um violão.
Quer dizer, na época dela ser incomum era maneiro. Além disso, era respeitável. As pessoas admiravam o jeitão dela e pensavam “ah, tudo bem ela ser meio doidinha, a voz dela é incrível”. Hoje a vastidão de possibilidades e o incrível poder da internet de fazer de tudo no mundo algo realizável, a situação é mais complicada e ser incomum é relativamente mais difícil. Digamos que ela se deu bem talvez por uma questão de posicionamento espaço-temporal. Porque Amy Winehouse também tem uma voz incrível, mas né. Provavelmente pessoas como Minha Avó sabem que ela bate no marido mas nunca ouviram seu cd. Não que Cyndi fosse (seja) santa, mas pelo menos não tinha a rede divulgando suas peripécias como se não houvesse amanhã.

O hino em questão é True Colors. Claro.

Eu acredito que uma música não é um hino impunemente. E a geração MTV não faz de uma música com um clipe medíocre um hino. Simplesmente não faz. Reparem bem no vídeo. Mas reparem mesmo.
Sério, estou mandando.

A palavra sublime tem pouco poder pra descrever a sensação que começa a percorrer o corpo de uma pessoa nesse momento. Começa com uma Adoração ao Holofote e posterior bater forte de tambor de Cyndi logo no comecinho. Esse perfil, essa meia luz. Essa sensacional escultura capilar e a florzinha. Meu Deus, a florzinha. A florzinha que faz o link da tamborilante Cyndi com a menininha, que pode deixar o espectador meio perdido dada a fidelidade cromática de seu exuberante adereço drag de cabeça com o penteado da popstar. Mas a menininha, num mundo de areia que poderia fácil ser Tatooine, está mais entretida em assistir a uma adaptação interracial, onde a harmonia se mescla com um clima de magia e sedução, de uma cerimônia do chá. Em uma canoa. Na areia. E isso tudo no primeiro minuto e meio.

Percebem o que eu estava falando?

A incrível sequência de cenas e situações nonsense e incrivelmente coerentes continua, passando pela indumentária de sereia com lustre na cabeça (1:43) e seu telefone de concha (perceba: “you call me up because you know I’ll be there” cantado por uma sereia enquanto empunha uma concha. Claro que é um telefone. Sensacional, não é?), seguida pela câmera entrando na concha loucamente a procura de Cyndi, que repousa. Reparem que vocês não podem ser capciosos nesse momento: a concha é o telefone da sereia, mas é a casa de Cyndi. O que possibilitaria Cyndi morar dentro da orelha da sereia tranquilamente. Mas não está explícito se a sereia tem orelhas porque o LUSTRE cobre o que seriam suas cavidades auriculares. RÁ. E aí a Cyndi morar numa concha explica por que as senhoras do chá a viram dentro da água imaginária. Dado o fato de existir todo um motivo implícito chocante em morar numa concha, e as conchas realmente estarem na água e tal.

Mas ela não está sozinha na concha, oh não. Além do assistente que está puxando o fio do que poderia ser facilmente o maior lençol do cosmos, temos também o par romântico da cantora, no clipe. Concha enorme, pelo visto, porque ele está no alto, puxando o pano interminável, enquanto Cyndi faz a Rapunzel, só que guardadas as devidas adaptações. Gente, o que é esse cara? Ele é loiro, praticamente um Fabio, só que magrinho e que emerge da água purpurinado. Que água é essa, é o que eu pergunto. Dizem aí que Cyndi tava pegando e tudo, e depois casou com o dito cujo. Não tenho certeza que é ele, mas se for eu acredito ter sido a purpurina. Elas não resistem.

E aí rola o beijo mais saturado de ciano e magenta da VIDA e a gente tem realmente medo do que possam ser as cores verdadeiras. Porque pensa, se essas cores forem a razão do afeto de Cyndi (“I see your true colors and that’s why I love you”), eu não posso pensar em nada que essa mulher não amaria. E isso é perigoso. Isso leva uma pessoa a aceitar que uma saia feita de tiras de jornais e/ou revistas e andar de sapato alto na areia sejam idéias BACANAS. Além de adentrar, não ligando a mínima, uma autêntica e tradicional aula a céu aberto, com direito a professor e chapeuzinhos. Mas pelo menos o estado de descontrole emocional de nossa amiga parece estar a seu favor.

Só que a essa altura do campeonato a pessoa já resolve apelar. Não sabendo que sim, querida nós te entendemos e conseguimos ver além dos supostos clichês oitentistas do seu vídeo, ela não acredita. Então taca uma fórmula infalível no vídeo: Cyndi faz carinha de quem tá gostando demais, topless, em um lago de espelho. Assim, realmente, toda se querendo. Não que a platéia vá ao delírio porque comparado aos nossos padrões atuais, Cyndi não era exatamente a mais lasciva entre as mulheres, mas é um fechamento interessante.

E depois da longa jornada ela retorna à Adoração ao Holofote e ao batuque. E bem mais convicta. Assim, realmente mostrando a que veio, sabe? E com um decote que quase não sustenta a empolgação das batucadas. Porque apesar de ser assim tão unusual ela sabe do que a vida é feita. É feita de metáforas, meus amigos. Metáforas e voltas ao lar. Mesmo que seu lar seja uma concha e a única chance de sair dali é sendo içada por um pano.

Se bem que, Rapunzelices à parte, ela se deu bem: queria ver como ia ficar a escultura capilar se não tivesse esse paninho na história. E talvez até não tivesse. Talvez a produção tenha introduzido toda a questão do paninho como forma de não descabelar a cantora. Porque obviamente a escultura em questão foi criada com tanto esmero, cuidado e precisão que seria praticamente um crime se um modelete da vida tivesse o direito de desarrumar um fio que fosse.

O pano existe, portanto, porque existe justiça no mundo.

***

Eu gosto dessas tarefas, rá.

Reage, fia.

Novembro 15, 2008

Então. Tava eu lá tentando fazer uma REAÇÃO pra faculdade.

É. Reação.

É tipos uma resenha só que com sentimento, aparentemente. Essa já é a terceira. As duas primeiras foram um pouco mais ortodoxas. Mas o legal de serem reações é que dava pra escrever num tom bastante informal e DESCER O PAU BUNITO naquilo que a gente achasse que devia.

Mas aí vem essa. Essa terceira reação foi uma mordida na minha traquéia de tão difícil. Era pra eu simplesmente escolher um clipe e reagir a ele, depois postar no blog coletivo da disciplina (que eu nem vou divulgar porque né, tem muita barbaridade). Mas cara. Escolher um clipe e reagir a ele. Caralho.

Aí óbvio que eu ainda tou decidindo. Fazendo um top quarenta e três aqui e tal. Mas como eu não sou obrigada e rola esse espacinho belo aqui, vou botar tods os finalists. Por dois motivos: porque aí eu não preciso nem escrever nem resenhar e pra não perder os links porque nem visei lotar o delicious assim.

Então:

Porque né. É lindo ;}~

Eu amo a vibe Magal + Vamp.

Rickard Engfors, me descabela.

(e “ao vivo”:)

Olof e sua jaqueta azul = melhores dançarinos do mundo.

Eu amo Polysics. Eu amo boquinhas de machucados. Eu amo perfeccionismo que beira o autismo e atrasa linhas de produção. Me identifico horrores.

Robozão de tokusatsu gone wild. Como não amar?

Se é neon e mexe perninha, eu curto. Ainda mais com esse BOOM DARADARADARA BOOM DADA DADA.

Chaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarlie. Não, brincadeira. ;D

Acho revolucionário esse. E colorido. E é impressão minha ou rola uma bandeira da Islândia no braço direito?

Porque eu TOU NA PEGADA ainda, desde o show, haha. E eu acho bem bem foda esse clipe de foguinhos indiretos.

E finalmente, o que eu acho que vai ganhar a REAÇÃO afinal:

Não sei nem por onde começar cara.  Acho lindo tudo, desde a Cindy pomba-gira bate-forte-o-tambor até o wannabe de Fabio com GLITTER. Tem muito sobre o que reagir aqui. A nível de reação, digamos que é quase o ápice de material reacionário dos mundos. ;~~~~~~

Revoltazinha

Novembro 14, 2008

São 2:33.

Só queria deixar isso bem claro.

Porque não é hora, sabe? Pra indiretas. E nem é indiretas de sex não, porque pra essas rola toda uma imunidade. Indiretas de falta-de-vergs-na-cara, é do que eu estou falando.

Acompanhe:

- amiga*… estou desesperado… 
- que foi?
- meu pré-projeto tem que estar pronto quarta
- puxa, que chato eita… que falta, editar?
- 15 a 20 laudas… soh tenho 3
- ah
- pré-projeto eh escrito
- ah sim
- tentei recolher os cacos esta semana, mas pelo visto eles estao mais espalhados q eu pensava…
- eu não me conformo com esse fim de ano, viu?
- está assustador
- né não, menino?
- preciso do email do Professor F. eh urgente
- uhum, imagino.

E tinha mais. Coitado, nem é culpa dele essa minha cof-cof hostilidade. Mas eu tenho sérias restrições a papos sérios que não me dizem respeito. Sou a favor de desabafo e tenho num cantinho especial () todos meus amigos que um dia já foram alvo de MINHAS reclamações. Só que né. Sejemo práticos. Eu não tenho o mail do professor que ele quer; eu não sei nada sobre o PRÉ-PROJETO (coisinha mais cacofônica); e é final de período, sabe? Final de período é cachorro-come-cachorro.

Can I has vacashun? PLEEZ.

*Note aqui a sutil e cada vez mais atual forma de tratamento. Um raro exemplar da banalização do termo.

Vicente <3

Novembro 4, 2008

Hoje o meu irmão me perguntou o que era blog, o que era link, o que era comunidade e eu gostei de explicar.

Esse post é pra mostrar pra ele o que é um link.

Tá crescendo rápido, cara. ^^