E hoje, motivada pela incrível e na maioria das vezes dispensável didática no livrinho da vida, do universo e tudo mais for dummies, que estou sendo obrigada a ler por questões de SIMETRIA, comprei um livrinho.
Eu não tenho noção de como esse livro do Hawking chegou aqui em casa, mas aparentemente foi um presente de Natal. Porque tem um adesivo daqueles de data de troca, e a data é dia 26/12/2005. A questão simétrica é que no meu quarto tem estantes. E esse era o último livro que faltava na prateleira do meio.
Não é legal eu deixar um livro sem ler e passar pra outra prateleira. Nada legal. Nem trapacear, e colocar no fim de outra prateleira. Eu vou saber e ele vai me perseguir pra sempre e coisa e tal. E o Stephen Hawking não é bem a pessoa mais aconselhável pra perseguir ninguém, e eu não quero que ele desmonte e tudo. Tudo culpa do desavisado que colocou esse livro na minha prateleira. Maior desrespeito pelos rígidos padrões de arrumação de prateleiras das pessoas.
Mas tudo bem, já que aqui em casa rola um certo lobby dos livros bons e, de fato, tirando meus livros de referência e estudo, e os livros de medicina da minha madrasta e as coisas do meu pai do tempo da faculdade (que são aparentemente inúteis porque ele simplesmente não sabe onde estão os livros enormes dele) nenhum livro é efetivamente de alguém. Rola todo um compartilhamento que pode ser invasivo (o que leva meu pai a começar a ler e achar muito chato um livro di-dá-ti-co sobre, sei lá, qualquer coisa. Piñatas.) ou aconselhado. Mas as pessoas tem gostos né.
Isso é sempre complicado.
Pro meu pai, livro bom é os que não são chatos e massantes – porém os assuntos que o interesam tem uma queda forte pro lado do chato e massante. Ele é um homem Discovery E History Channel, mas adora a saga de Duna e meus livrinhos divertidos. Mas, surpreendentemente, não tem saco pra William Gibson. Nem Douglas Adams. Suspiro.
Pra minha madrasta, bom é vencedor de prêmios. E mais recentemente, qualquer obra que envolva Istambul e essas coisas medio-orientais e neve e pipas. O que o meu pai acha extremamente chato e massante. Eu também não me interesso particularmente por essa parte do globo, mas né. É livro.
Meu irmão gosta de coisas coloridas, com ilustrações iradas, monstros, múmias e mistérios, nojeiras e curiosidades científicas. Ele tem dez anos e não é metade da traça que eu era, mas ele gosta de brincar na rua e tal. Acho que é uma troca justa. Tou vendo se consigo fazê-lo curtir Calvin & Haroldo.
Já eu gosto de capas. Claro. Assim, pra primeiro contato. Tem moças que gostam de garotos morenos de olhos verdes. Eu gosto de capas legais.
Legais, mas coerentes, por favor.
Dia desses um vi um paperback da Agatha Christie com uma capa tão divertida e uma fonte tão jovial, que parecia um livro em que a capa brasileira é tão mais lindinha e um clássico dos pinguins. Cara, Agatha-fucking-christie. Como diz minha vó, a maior e melhor assassina da história. Haha. Mas voltando, um livro de um autor que eu não conheço me conquista pela capa e pelo título. E pelo primeiro parágrafo. Como compro mais livros por impulso, fazendo hora em algum lugar do que na internet, não dá pra fazer pesquisas detalhadas sobre os autores e tudo mais, então o meu metódo funciona bem comigo. Depois entram sugestões de amigos. Depois, sugestões da Amazon.
Quase nunca falha.
Aí os autores que eu não conheço viram autores que eu conheço. O que é tão bom. Bom porque dá uma refrescada, varia um pouco os estilos e tudo mais. Tem muita coisa boa surgindo por aí e me deixa bem puta quando acho um livro maravilhoso esquecido numa prateleira baixa, no meio de livros, sei lá, da mulher-melancia. E aí, depois de estabelecer um vínculo, (eu sou uma vendida, se tiver capa boa eu vou comprar – posso não ler nunca mais, mas eu vou comprar.)eu me sinto relativamente segura pra tentar outros livros do mesmo autor. Seguindo essa lógica, o livrinho que eu comprei hoje foi esse.
Até agora, Mark Haddon me têm. Positivamente. O incidente curioso foi um dos preferidos-instantâneos do ano passado. Só me assustou o quanto os pensamentos de um menininho autista se mostraram incrivelmente fáceis de compreender e carregados de sentido. Não vou nem traçar um paralelo, porque né. Gente. Já tenho muito pra me preocupar.
Mas agora com licença, que antes eu ainda tenho que terminar o do Hawking e reorganizar minha estante. E quem sabe depois bolar um esquema que a proteja dos bagunçadores.
Não me conformo, viu.
Outubro 29, 2008 às 1:42 pm |
A propósito de Agatha Christie, convido você e a todos para conhecerem dois blogs recém-lançados…
A Casa Torta: O Mundo de Agatha Christie
http://acasatorta.wordpress.com
Cinema é Magia
http://cinemagia.wordpress.com
Um abraço.