Posts de Outubro, 2008

Eu era uma lontra

Outubro 30, 2008

Falei essa frase outro dia pra alguém no msn.

Só que ela ficou TÃO MELHOR fora de contexto que eu tou usando de mensagem pessoal já faz um tempo.

E aí tá sendo muito lindo. As pessoas perguntando coisas absurdas. Minhas amigas me chamandos de “lontrinha”. Galerën da faculdade achando superlegal fazer nomenclatura das interwebs GANHAR VIDA no corredor.

Contexto kd, né? Muito corações pra isso, .

E aí um moço daqueles que não falam comigo por eras e resolvem puxar assunto esporadicamente, bissextamente até, perguntou se eu era uma lontra “mesmo”. Aparentemente não, mas NOTEM que se tratava de uma pessoa desprovida de algum senso de metáfora – e não-familiarizada com o incrível universo das frases de efeito criadas pela vodka. I’m NOT kiddin’.

- Mas, meu amigo, o que seria ser-uma-lontra-mesmo?

- Ué, cara, ser mesmo. Assim, mesmo-mesmo.

- Claro.

- Porque na vida, ou você escolhe uma coisa, ou a coisa escolhe você.

- Logicamente.

- …

- …

- …

- …

- Na boa, sério, da onde isso surgiu? Porque eu sei que você não era uma lontra mesmo.

- Mesmo-mesmo? Sério, eu ainda não saquei o CONCEITO de ser ou não uma Lontra Mesmo.

- Assim, fisicamente.

- Ah, ok.

Juro, gente. Eu me amarro.

Acho que tirando nadar no rio (eu não sei onde as lontras nadam ok) e ser fofinha, esse é o máximo de satisfação pessoal que se pode obter sendo lontra: ser reconhecido.

E, quanto a isso, tou fazendo um ótimo trabalho. 37652bd

Eu tava ficando agoniada…

Outubro 29, 2008

E hoje, motivada pela incrível e na maioria das vezes dispensável didática no livrinho da vida, do universo e tudo mais for dummies, que estou sendo obrigada a ler por questões de SIMETRIA, comprei um livrinho.

Eu não tenho noção de como esse livro do Hawking chegou aqui em casa, mas aparentemente foi um presente de Natal. Porque tem um adesivo daqueles de data de troca, e a data é dia 26/12/2005. A questão simétrica é que no meu quarto tem estantes. E esse era o último livro que faltava na prateleira do meio.

Não é legal eu deixar um livro sem ler e passar pra outra prateleira. Nada legal. Nem trapacear, e colocar no fim de outra prateleira. Eu vou saber e ele vai me perseguir pra sempre e coisa e tal. E o Stephen Hawking não é bem a pessoa mais aconselhável pra perseguir ninguém, e eu não quero que ele desmonte e tudo. Tudo culpa do desavisado que colocou esse livro na minha prateleira. Maior desrespeito pelos rígidos padrões de arrumação de prateleiras das pessoas.

Mas tudo bem, já que aqui em casa rola um certo lobby dos livros bons e, de fato, tirando meus livros de referência e estudo, e os livros de medicina da minha madrasta e as coisas do meu pai do tempo da faculdade (que são aparentemente inúteis porque ele simplesmente não sabe onde estão os livros enormes dele) nenhum livro é efetivamente de alguém. Rola todo um compartilhamento que pode ser invasivo (o que leva meu pai a começar a ler e achar muito chato um livro di-dá-ti-co sobre, sei lá, qualquer coisa. Piñatas.) ou aconselhado. Mas as pessoas tem gostos né.

Isso é sempre complicado.

Pro meu pai, livro bom é os que não são chatos e massantes – porém  os assuntos que o interesam tem uma queda forte pro lado do chato e massante. Ele é um homem Discovery E History Channel, mas adora a saga de Duna e meus livrinhos divertidos. Mas, surpreendentemente, não tem saco pra William Gibson. Nem Douglas Adams. Suspiro.

Pra minha madrasta, bom é vencedor de prêmios. E mais recentemente, qualquer obra que envolva Istambul e essas coisas medio-orientais e neve e pipas. O que o meu pai acha extremamente chato e massante. Eu também não me interesso particularmente por essa parte do globo, mas né. É livro.

Meu irmão gosta de coisas coloridas, com ilustrações iradas, monstros, múmias e mistérios, nojeiras e curiosidades científicas. Ele tem dez anos e não é metade da traça que eu era, mas ele gosta de brincar na rua e tal. Acho que é uma troca justa. Tou vendo se consigo fazê-lo curtir Calvin & Haroldo.

Já eu gosto de capas. Claro. Assim, pra primeiro contato. Tem moças que gostam de garotos morenos de olhos verdes. Eu gosto de capas legais.

Legais, mas coerentes, por favor.

Dia desses um vi um paperback da Agatha Christie com uma capa tão divertida e uma fonte tão jovial, que parecia um livro em que a capa brasileira é tão mais lindinha e um clássico dos pinguins. Cara, Agatha-fucking-christie. Como diz minha vó, a maior e melhor assassina da história. Haha. Mas voltando, um livro de um autor que eu não conheço me conquista pela capa e pelo título. E pelo primeiro parágrafo. Como compro mais livros por impulso, fazendo hora em algum lugar do que na internet, não dá pra fazer pesquisas detalhadas sobre os autores e tudo mais, então o meu metódo funciona bem comigo. Depois entram sugestões de amigos. Depois, sugestões da Amazon.

Quase nunca falha.

Aí os autores que eu não conheço viram autores que eu conheço. O que é tão bom.  Bom porque dá uma refrescada, varia um pouco os estilos e tudo mais. Tem muita coisa boa surgindo por aí e me deixa bem puta quando acho um livro maravilhoso esquecido numa prateleira baixa, no meio de livros, sei lá, da mulher-melancia. E aí, depois de estabelecer um vínculo, (eu sou uma vendida, se tiver capa boa eu vou comprar – posso não ler nunca mais, mas eu vou comprar.)eu me sinto relativamente segura pra tentar outros livros do mesmo autor. Seguindo essa lógica, o livrinho que eu comprei hoje foi esse.

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Até agora, Mark Haddon me têm. Positivamente. O incidente curioso foi um dos preferidos-instantâneos do ano passado. Só me assustou o quanto os pensamentos de um menininho autista se mostraram incrivelmente fáceis de compreender e carregados de sentido. Não vou nem traçar um paralelo, porque né. Gente. Já tenho muito pra me preocupar.

Mas agora com licença, que antes eu ainda tenho que terminar o do Hawking e reorganizar minha estante. E quem sabe depois bolar um esquema que a proteja dos bagunçadores.

Não me conformo, viu.

Eu sou roadkill. Mas não conta pra ninguém.

Outubro 25, 2008

Bateu uma vontade de fazer revelações. Depois do sonho maravilhoso que eu tive, a magnânima epifânia que me fez saber até quando o caralho do bloqueio vai durar e quando ele vai acabar, eu fiquei puta, porque né. Era sonho.

Outro dia – e quando eu digo outro dia bota aí um mês atrás mais ou menos – eu sonhei com uma mulher que se apresentava pra mim e dizia o nome dela. E o nome era muito legal. Mas assim, MUITO LEGAL. E eu pensando lá no sonho “cara, eu deveria acordar, tem papel e caneta na minha bolsa, ela tá aqui do lado, eu vou anotar, depois eu durmo de novo” mas minha cabeça disse que sim, mas meu corpo disse que tava confortável demais. Genie In A Bottle FAIL. Enfim. Aí eu obviamente achei que ia lembrar de tudo e ia acordar uma pessoa melhor, sabendo que nome dar pra todos meus bichos de estimação daqui pra frente. Um nome pra quando eu precisasse dar uma de Jane Jones em Londres e  tudo mais. Fazer cadastro pra ganhar revista da Editora Abril de brinde. Batizar um submarino. Ou uma caneca. Ou uma rua. Várias opções, cara. Afinal se tratava de nome AND sobrenome, ambos fodarásticos.

Mas. Claro que não né.

Pergunta pra mim agora quais eram: eu não faço a mais puta idéia. Algo me diz que era algo tão sonoro quanto SOLANGE PALERMO. Uma coisa assim na linha personagem de novela mexicana + video-artista controversa com orgulho das r00ts latinas. Mas é só uma impressão que eu tenho, aqui, dentro do meu ser.

O fato é que todas essas revelações e esses SINAIS que os sonhos tão me mandando de formas bem babacas akshualy tão me fazendo refletir. De um jeito bem medíocre, mas ainda assim.

Só que né. É aquela coisa. Você reconhece os sinais, mas não sabe pra que eles servem. Tipo mamilo antes dos onze anos e aquelas placas de trânsito com um desenho de vaca. Eu não acho que seja realmente necessário uma placa de vaquinha pra dizer isso. Animais-na-pista são grandes e lerdos. Eles não pulam na frente do carro vindos do nada. Simplesmente não pulam. Só se estiverem descontrolados. Aí, que que se pode fazer né? Os pequenos e ágeis viram roadkill. Caralho, se o bicho é grande, e lerdo e você não vê, então você merece bater. E morrer. Devagarinho.

Que nem quando eu tinha cabelo laranja fluorescente. Se me atropelassem, porra, carteira pra quê né? Ia dar pra ver o nível de cabacidade do sujeito. Ou de miopia.

Mas voltemos aos animais, né. Eles se locomovem gente. Eles não ficam lá na pista dando mole. Porque quando eu vejo uma placa eu espero ação. Eu DEMANDO ação.

Pra mim todas ruas do mundo tinham que ter uma placa dessa só que assim “CUIDADO POSSIBILIDADE DE ANIMAIS NA PISTA”. Pelo menos na conjuntura com a qual eu tou acostumada, nunca se sabe né.

Minha cachorra tá raspadinha

Outubro 17, 2008

Taí uma frase que não se ouve todo dia:

Minha cachorra tá raspadinha.

E se a pessoa ouve, fica toda felizinha né, nem liga pro contexto. Contexto, cara. Aprenda.

Mas então, minha cachorra, a Lola, uma peste super-adorável foi castrada esses dias. E como ela é uma peste super-adorável ela conseguiu, sem esforço, romper alguns pontos e tudo mais. Destruiu a roupinha pós-operatória como se fosse feita de sagu (RÁ eu comi sagu esses dias! Pela peimeira vez! Taquei vodka nele. Ficou supimpa.) e tá maior carente dos mundos. Tadinha. A gente nem botou aquela COISA de abajur nela porque né. Sacanagem. Mas talvez se tivesse de cone não ia ter conseguido abrir as porras dos pontos. Mas, voltandos, ela tá toda cabisbaixa, de uma forma meio bipolar: qualquer aproximação já faz a bichinha bater o rabinho no chão de contentamento, mas se a deixar sozinha ela fica triiiiiste, largada no chão frio do banheiro, ouvindo Mariah Carey enquanto chora a vida pra fora do corpo gemendo. Por causa da operação ela tá com as patinhas e a barriga raspadas.

Parece menina novinha, com seus 11 anos, que quer raspar as pernas (ainda não sabe o horror que é isso) e não sabe direito comofas então raspa até o meio da canela e acha que tá linda.

Mas a Lola tá muito engraçadinha. E eu, que não tenho jeito nenhum com essas coisas vivas, tipos bichos e pessoas, fico com peninha, porque não sei direito como proceder pra chegar perto dela e fazer carinho. Ela fica pulando, ansiosa e eu dou um passo pra trás.

Ela sabe que aquilo é algo MUITO raro, então fica louca de expectativa, pensando “nossa, finalmente essa moça vai me dar carinho”. E aí ela resolve demonstrar sua alegria pulando em mim, e porra, eu não sei lidar com coisas que pulam em mim, cara. Não sei. Eu me retraio e vou pegar alguma coisa pra fazer ela feliz à distância. E fico triste pra caralho. Sério, dá vontade de chorar.

Eu já chorei.

Mas por que mesmo assim ainda não consigo? Parece fácil, né? Em teoria? Ela já tá aqui há quatro anos, e eu ainda não consegui me enturmar. Eu lembro de quando ela era um bebêzinho e eu ficava brincando com ela, e ela nem ligava pra mim, só queria saber de dormir no meu colo. Ela era leve, quieta, pequena e parecia tão frágil. Agora ela é uma menininha linda, forte, louca de pedra (sério) mas super carinhosa. Por que eu não consigo? E se eu tentasse de novo, agora?

Alguém?

Outubro 16, 2008

Sabe quando você tem algo muito-foda pra falar, mas aí alguém te interrompe e aí o assunto muda e aquilo que você ia falar não tem mais picas a ver com a situação e você se cala pra não passar vergonha?

Foi tipos isso que aconteceu com esse blog.

Parei. Não tinha mais porra nenhuma pra falar. Não por esperar que alguém lesse isso aqui – fica foda quando você não divulga. Mas, aparentemente, toda a urgência de comunicação que me fez criar esse espaço acabou sumindo. Eu fiquei ocupada. E criei um twitter.

Aliás, a culpa é do Twitter. Eu até já falei dele aqui, acho.

Antes – quando eu ainda não gostava de brincar – eu achava maior sacanagem dos mundos quando os blogueiros sumiam, mas ao mesmo tempo ferviam lá no tuntz-tuntz de seus tuíteres. Só que né. Aí eu resolvi brincar também. Com alguns muitos meses de atraso, eu achava twitter mega inútil e pensava “mas PRA QUÊ meldels? Eu já me desdobro em trinta-e-cinco páginas separadas com finalidades separadas e tudo mais”…

Só que. NENHUMA. Das páginas. DOS MUNDOS. Consegue ocupar o espaço de “minha consciência”. Só o Twitter.

Olha que gênia eu: se eu falar sozinha as babaquices que eu sinto um impulso incontrolável vontade de falar e alguém ouvir, eu vou passar vergonhas. Ou meu irmão vai ficar me olhando com a cara mais VOCÊ-BEBEU? do mundo (quando se tem 10 anos, TDAH dos outros é algo bizarro – a sua é normal). E se for na rua eu vou ter que FATALMENTE manter o hábito de sacar o celular e fingir que tou falando no telefone.

Só que né. Telefone, kd?

Desde que a bateria virou pra mim e falou amiga, no te quiero más que eu entrei num processo cíclico de esquecer o safado em casa carregando / lembrar que não adianta porra nenhuma botar pra carregar / deixar o cretino com meu pai pra levar pra botar bateria / papai ser papai e efetivamente nem lembrar que meu telefone existe. Aí com o tempo a pessoa desencana de ter telefone, porque a vida muda que é uma maravilha.

Sem mais esporros estilo “cê tá atrasada bibibi” – se você não sabe 1) onde a pessoa tá e 2) que horas ela chega e 3) se por acaso algum ônibus pegou fogo no caminho dela, não convém fazer cara de “Meldels, que vida louca você leva, horários nunca mais. Não te esperamos pra jantar – tá no TAIPUÉR a comida já.”

Você também aprende a dar valor às companhias: “Porra, cadê a Fulana? Cara ela tava aqui agora mesmo! Ela tá com meu texto de antropologia, mano, e eu tenho que correr pra casa nesse-mo-men-to! Claro que eu esqueci de falar com ela quando ela tava aqui. Merda. (…) Alguém liga pra ela?”…

Só fico com saudade de falar com meu namorado, minha mãe, minha melhor amiga e essas outras pessoas que não sabem ligar pro telefone de casa.

Eu até botaria o telefone aqui, caso voc~es todos esqueceram, mas né, quem vai ler?