Hoje de manhã tinha neblina. Mui-ta ne-bli-na.
Da ponte eu não via nem a água, nem o Rio, nem o céu. Era como ficar dentro de uma grande coisa branca, um pacote de meias atléticas novas com uma tira de asfalto e carros rasgando o pacote.
Me senti errada.
Aquele branco era tão, tão puro que todo carro e todo o asfalto era parasitário. Um bando de unhas pintadas de preto vasculhando o pacote, escolhendo uma meia pra usar.